quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
domingo, 19 de dezembro de 2010
Just
Insolitas margaridas
Margaridas distantes dentro do presente
Doloridas amargas idas
Corpos de leite em pétalas skinny
Avareza de carne
Não disposta a moer em caules espinhos
A Infante fatalidade
Nina o corpo do passarinho desfalecido
Amarga ida
Te lambo num cais inerte
Não que não sejas em si um mimo
Apenas tento me esquivar dos titãs não adormecidos
que me trituram pela geléia dos ossos
A sua pele branca
Límpida em desejo meus augúrios se desfazem
Latejo
Lenta e estonteada fome em que a aceleração é vertiginosa
Tua pele
O branco e o rosa
E eu que antes não havia sentido essa fome liquida
É no dorso das palafitas que minhas solas resistem
Os gomos de sua digital em minhas papilas
É meu festim diabólico
Satã comeu mais que um cérebro
Mas eu não o temo
Eu temo o menino de pele branca
O papel em branco do autismo do seu coração
Valeri Rodrigues
Bibliografia
LEHMANN, Hans Thie. Teatro pós dramático. Trad. Pedro Sussekind. Cosacnaify. São Paulo: 2oo7.
Valeri Rodrigues
"O que eu queria te dizer"
quero pegar, sentir, tocar, ser.
E tudo isso já faz parte de um todo,
de um mistério.
Sou uma só... Sou um ser.
E deixo que você seja. Isso lhe assusta?
Creio que sim. Mas vale a pena.
Mesmo que doa. Dói só no começo."
Clarice Lispector
Bibliografia:
THEML, Neyde. Público e privado na Grécia do VIIIº ao IVº séc. a.C.: O Modelo Ateniense, Rio de Janeiro: Sette Letras, 1988.
BOURRIAUD , Nicolas. Estética Relacional, S.Paulo: Martins, 2009.
LEHMANN, Hans. Thies O teatro pós-dramático , S.Paulo: Cosac Naify, 2007.
MELIM, Regina. Performance nas artes visuais, Rio de Janeiro: Zahar, 2008.
Obs.: Estou com dificuldade para postar o vídeo no youtube pq ele tem 20 min de duração. Assim que conseguir compactar eu disponibilizo no blog.
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Considerações finais sobre o re-enactment Pancake
Performance... pra quê? Por que? Confesso que essas eram perguntas frequente para mim antes do início deste período. A performance ainda é vista por muitos com preconceito. Neste sentido a performance de Paulo Bruscky “O que é a arte, para que serve?” Se encaixa perfeitamente no contexto dessas pessoas que não entendem o intuito dessas realizações.
Regina Melim introduz seu livro “Performance nas artes visuais” dizendo que o termo “performance” é tão genérico quanto as situações nas quais é utilizado. Uma performance pode ser encontrada em diversas áreas da arte, isto é um dos motivos pelo qual é tão difícil classificar ou julgar esse ato.
Ao pesquisar diversos artistas me deparei com Marcia X. Foi uma identificação imediata com o trabalho da artista. A sua agudez que acompanhou toda sua trajetória, acrescidas de uma forte ironia foram os pontos de maior identificação. Pancake possui essas características e por isso me interessou profundamente.
Desde os anos 50 os espaços e objetos da vida cotidiana são motivo de investigação e fascinação de diversos artistas. Allan Kaprow, em seu tributo a Jackson Pollock diz:
“-Objetos de todos os tipos são materiais para nova arte: tinta, cadeira, comida, luzes elétricas e neon, fumaça, água, meias velhas, um cachorro, filmes, mil outras coisas que serão descoberta pela geração atual de artista. Esses corajosos criadores não só vão nos mostrar, como que pela primeira vez, o mundo que sempre tivermos em torno de nós mas ignoramos, como também vão descortinar acontecimentos e eventos inteiramente inauditos...”
Em Pancake, Márcia X faz com que a ação executada (derramamento do Leite Condensado) com excesso torne ações corriqueiras em imagens absurdas.
O leite condensando pode criar uma série de códigos antagônicos:
Leite x sêmen
Maternidade x Virilidade
Afeto x Erotismo
O que mais me impressiona nesse trabalho e consequentemente nas performances em geral é a multiplicidade de interpretações geradas por uma ação.
Agir no limite entre a consciência e o transe...A perseguição pelo supérfluo, a maquiagem que deforma, a busca do prazer que leva o oposto... todas essas indagações me passaram pela cabeça ao refazer Pancake. Depois do re-enctment realizado li uma frase de Arnaldo Antunes que me remete muito a todo esse processo: “Sempre é pouco, quando não é demais”. Talvez essa seja uma conclusão ao ver Pancake.
Bibliografia:
Melim, Regina. Performance nas artes visuais, Rio de Janeiro: Zahar, 2008.
O QUE É ARTE? e PARA QUE SERVE? In 4 dias e 3 noites
O difícil do estudo acadêmico da performance, apesar de estar num curso de teatro e por mais estranho que possa parecer, é o preconceito. Esta é a experiência que observo. É tudo muito legal, interessante e pertinente, mas... mas... mas... Sempre tem um mas... E é possível especularmos dezenas de motivos. Não vem ao caso. Para além do que cabe ou não ao teatro e às teatralidades contemporâneas, o questionamento por trás de tantos ‘mas’ está no que deve ou não ser validado como arte.
A atividade artística é mutável, suas formas, canais de expressão e funções refletem a época e o contexto social em que se inserem. Nós, no contexto da pós modernidade, de espetacularização da vida e velocidade e diversidade de meios de comunicação, discutimos a transitividade do objeto cultural, questionamos o real e o ficcional, a autoria das obras, suas possibilidades comunicativas, de alteração das relações interpessoais no tempo e no espaço, de diferentes formas de interação entre sujeito e objeto da arte, apenas para citar alguns debates. É mais do que natural que o papel da arte (e do artista), de maneira mais ou menos específica, seja questionado. Mas para que serve o questionamento? Qual é o seu foco? Uma melhor compreensão da nossa relação com os outros e com as coisas da vida de modo a fazer do mundo um lugar mais solidário e melhor habitado, ou uma tentativa de compreender melhor seus meios e objetos para a distinção e sacralização de formas?
Dentre os muitos teóricos que cercaram os deliciosos encontros da turma de ATAT 2010/02 nos debates sobre arte, performance e re-enactment, o que mais me toca é Nicolas Bourrioud e suas proposições de uma arte que, sobrepondo-se às esferas do público e do privado, se constrói e acontece no contexto das relações interpessoais. Ele nos mostra a existência de uma arte que é relacional, calcada nas intersubjetividades e cujas temáticas são a possibilidade de encontros, a abertura de canais comunicativos num meio urbano mecanizado, a atribuição coletiva de sentido para as coisas da vida, possibilitando, no mínimo, sociabilidade pela desatomização de relações e pela criação de canais de diálogos.
Sim, a arte, em maior ou menor grau, sempre foi relacional e motivadora de diálogos. Ou, nas palavras de Bourrioud, “o mundo da arte, como qualquer outro campo social, é relacional por essência na medida em que apresenta um sistema de posições diferenciais que permite sua leitura.” Mas aqui, como mostra Bourrioud, não se trata das atribuições inerentes à existência da arte, mas às necessidades implicadas nela pela contemporaneidade. Num mundo onde as relações inter humanas caminham da superficialidade ao nada, a arte se propõe a ter como objeto a geração de contextos que as possibilitem e, mesmo, que as criem. São experimentações sociais urbanas que se completam pela interação do espectador que, assim, é também autor dessa ‘obra’ transitória no tempo e no espaço.
Conversando com amigos do curso de teatro sobre a Estética Relacional, de Bourrioud, me dei conta de que, de fato, a performance – como gênero ou linguagem – é apenas “vitrine” de algo maior que, por falta de palavras e pelo cansaço do fim de período, chamo provisoriamente de conservadorismo aliado a uma visão elitista da arte – se é que no fundo não são a mesma coisa... De uma maneira geral e resumida, as pessoas com quem falei acham que arte deve ser apreciada por todos (democratizada), embora nem todos tenham condição de compreendê-la, pois para tal é necessário um conhecimento específico sobre arte. Pelo mesmo motivo, alguém que não tenha sido ‘ungido por deus’ e/ou não tenha passado por um treinamento prático-teórico não terá condições de se expressar artisticamente. Como conseqüência, a estética relacional só propiciaria ‘obras de arte’ se vivenciada por artistas, no mais seria fracasso e diletância.
Não. As conversas não tinham o cunho da pesquisa e nem tiveram um número expressivo para amostragem – 23 – mas, ainda assim, considero significativo se avaliarmos estudantes de arte no contexto da universidade pública brasileira, num universo reduzido como o nosso – um curso de teatro na UNIRIO.
Por conta disso, decidi que meu re-enactment seria nas ruas e, de alguma maneira, deveria fazer com que as pessoas que interagissem comigo refletissem sobre a arte; sobre a existência ou não de uma essência que a identifique; sobre quem faz arte e qual a função de tudo isso em nosso quotidiano.
Eu já estava há uns meses namorando os trabalhos do Artur Barrio, um artista plástico incrível (conceitual e performático), português com 55 anos de Rio de Janeiro, que trabalha com sobras e resíduos do mundo fazendo de seus trabalhos, construídos por materiais de suporte marginais e efêmeros (sangue, carne, pão, papel higiênico, sal e afins), uma crítica às condições de produção da arte, sua circulação e consumo na sociedade contemporânea. Eu queria experimentar esse caminho e ter como bússola a estética relacional... Foi quando descobri “4 dias 4 noites”, uma experiência não programada, realizada em maio de 1970, que pretendia, tendo o cérebro como motor da obra, levar o corpo a um nível de exaustão que desembocasse num patamar elevado e/ou máximo de criação.
Barrio começou a andar a pé pelo município do Rio de modo a fazer as percepções guardadas e as que eram apreendidas ao longo da experiência condicionarem a me
nte ao trabalho criativo e o corpo à sua atuação como máquina; que não pára; que não cansa; que executa. Ele observava a cidade, as pessoas na cidade, afetava e se deixava afetar por elas. Com ele, além do corpo e cérebro – suporte de fundamentação do trabalho – também um caderno de artista para anotar idéias e experiências.
O tempo da experiência foi determinado pelo corpo – poderia ter durado seis dias e seis noites – que parou por exaustão e por pneumonia. O caderno de artista foi feito depois, por memória das experiências vividas, possivelmente, apoiado em algumas poucas anotações. O resultado, além de um apuro do autoconhecimento e da autotransformação, está, segundo Barrio, latente em suas obras depois de maio de 1970.
Lendo os estudos da Regina Melim sobre a performance nas artes visuais, descobri um trabalho do pernambucano Paulo Bruscky que vinha de encontro ao que eu queria: “O que é arte? Para que serve?” (1978). Bruscky andava pelas ruas, entrava em galerias e cafés com uma placa pendurada no pescoço com essas frases.
Este trabalho de Bruscky, em particular, é um questionamento não apenas à sacralização da arte e aos ‘objetos’ que a representam em detrimento da experiência artística e às relações comun
icativas que esta última pode gerar/facilitar, mas, também, uma crítica direta à censura imposta pelas ditaduras, que impedia o trabalho de artistas por toda a América Latina.
Paulo Bruscky realizou – e realiza – livros
de artista, intervenções urbanas, poesias visuais, além de ser um dos pioneiros da Arte Postal na América Latina, utilizando em suas obras diferentes mídias, que ganharam força no Brasil na década de 1960, como Xerox, off set, carimbos, vídeo e etc., trabalhando de forma experimental e multimidiática. Ainda assim, os trabalhos de Bruscky refletem sua crítica aos redutos oficiais das artes como museus e galerias e, por isso mesmo, são um convite à reflexão e ao experimento de outros espaços para a realização/acontecimento artístico.
Meu re-enactment, então, estava decidido: uma junção de 4 dias e 4 noites, de Artur Barrio, com O que é arte? Para que serve de Paulo Bruscky.
Experimentando o suporte
* Concepção : Aline Barcelos e Maria Grey / Confecção: Aline Barcelos
O registro
Optei por não filmar. Embora alguns amigos tenham filmado momentos meus na rua, achei que filmar poderia deixar as pessoas intimidadas e, além disso, por questões técnicas poderia limitar minha ação. De qualquer forma, tanto os fragmentos de vídeo não postados, como as fotos postadas são, apenas, como o nome diz, um registro, no meu caso um registro mais documental do que artístico.
* Batista, Alan e Ramon, após longa conversa, abrigo da chuva, água e café, na Praia do Flamengo.
* Francisco, um dos produtores do show do Rush, que me perguntou: Se a sua profissão é artista, o que você faz para ganhar dinheiro?
* Entrada para o show do Rush depois que eu esclareci que não pretendia furar fila.
* Dona Maria do Estácio, adorou minha 'estrutura', me deu água, amanteigados e seu endereço caso eu precisasse de ajuda...
Manoel, catador de papel, em dia de mudança do Estácio para a Praça Onze: "Arte é tudo o que se faz para embelezar o mundo".
* Pavuna. Onde apenas algumas poucas crianças vieram conversar comigo...
Algumas conversas
*OBS: Como se faz para postar notas de voz?
Breve análise da experiência
O corpo fala, em verdade, grita. O meu gritou de febre e pneumonia – para ser fiel ao Barrio – após 4 dias e 3 noites. Eu precisava de repouso. Precisava também – e acho que ainda preciso – de tempo para assimilar tudo. Andei muito. Peguei um ônibus para atravessar a Brasil e ir para a Pavuna – no último dia. Passei a maior parte do tempo andando pelas ruas, mas entrei em museus, shows de música, teatros, bares e restaurantes. Não tenho como postar experiências mais específicas porque, a exemplo do Barrio, ainda estou reconstituindo meu caderno de artista, que, inclusive, pegou muita chuva...
Eu tinha estabelecido dormir de cinco horas por dia durante a experiência, na minha casa ou na casa de um candidato a anjo próximo ao local onde eu estivesse. Não sei se isso foi bom... Me cansei mais nos momentos de descanso do que andando. Adrenalina e ansiedade, talvez.
Não precisei de muito para afetar os outros... A minha presença com aquela estrutura enorme em volta do pescoço era suficiente. O primeiro dia foi difícil porque eu estava receosa. Mas fui surpreendida por aplausos, beijos, conversas e manifestações de todo o tipo que sem que eu dissesse qualquer coisa reverenciavam a experiência. Eu ouvia... As pessoas alteravam a frase: Arte serve? Pra que? (esse é apenas um exemplo). E falavam sobre “O que é arte? Para que serve?” – de modo que quando não falavam eu perguntava –, quando as explicações e os
elogios se esgotavam era o momento da reflexão... “Qual é o es
paço da arte na minha vida?” E assim alterávamos nossas relações para um nível mais pessoal, trocávamos experiências, desejos, telefones – que já viraram e-mails e encontros para boas conversas. Foi o caso do Wellington, segurança terceirizado do MAM, com quem passei uma noite conversando sobre arte, na casa do Hélio Oiticica exposta no jardim do museu, cujo maior sonho é construir uma família e o grande projeto artístico é construir a casa do pai (ele tem a planta baixa que desenhou, há anos, na carteira).
* Preparando a obra do Oiticica para a conversa da madrugada: água, mesa, biscoito e bancos.
Da zona norte a zona sul os questionamentos do percurso arte-vida mudavam, o corte de classe e a acessibilidade às expressões artísticas (física e econômica) influenciam todas as esferas da vida humana, não seria diferente para a arte. O consenso foi o de que a arte educa e é essencialmente uma forma de comunicação e que, por isso, amplia e estabelece possibilidades comunicativas entre as pessoas. “E eu” – me atrevi a perguntar – “estou fazendo arte?” A maioria disse que sim. Para os que diziam que não eu perguntava: “Se com este trabalho eu estou estabelecendo uma possibilidade comunicativa com você por que não é arte?” Eu sei... Radical e provocativo. Mas tive respostas ótimas, do tipo: “a arte é mais profunda, nós estamos apenas conversando e eu entendo tudo o que você diz.”, por Ricardo Torres, técnico da Oi, no Meier.
Enfim... Penso muito em refazer esta experiência; em utilizá-la para aprofundar este estudo temático. Mas, dentro do que me é possível, longe de acabado ou concluído, este re-enactment me mostra que o lugar do preconceito à determinadas expressões artísticas existe não por um “elitismo acadêmico” e, menos ainda porque a humanidade é uma fábrica de produção de diferenças, mas sobretudo porque sua raiz é estrutural, é fruto do sistema em que estamos inseridos e se reflete não apenas na arte, mas em todas as esferas da vida social.
A arte, necessidade humana, pode, no entanto, como mostra Bourriaud, fazer desta questão um ‘problema’ à sua estética e, a partir de pequenas ações, diminuir os impactos estruturais da vida quotidiana criando, propositadamente, zonas de suspensão em que se faça possível vivenciar e refletir meios de melhor habitar o mundo, a partir de obras que proponham esta, então, utopia da proximidade, da convivência, da fraternidade...
Bibliografia
Bourriaud , Nicolas. Estética Relacional, S.Paulo: Martins, 2009.
Melim, Regina. Performance nas Artes Visuais , Rio de Janeiro: Zahar, 2008.
Primeira impressão...
Performance, para mim que sou tímida, é muito difícil, tenho um certo receio, medo da reação das pessoas. Então procurei bastante para achar alguma performance que fizesse algum sentido para mim e eu então pudesse fazer o re-enactment.
Escolhi fazer a meditação coletiva, por ser uma questão que está muito presente nesse momento da minha vida, estou repensando a correria do dia a dia nas grandes cidades e até que ponto isso vale a pena, as relações entre as pessoas e se a religião está na vida dessas pessoas e como.
Depois que decidi a performance foi fácil saber o lugar, Campo de São Bento, em Niterói, que é aonde eu moro. É uma espécie de Praça/Parque, muitas árvores, lago com patos, um chafariz e uma "rua" principal que várias pessoas passam todos os dias. O Campo e cercado por quatro ruas, duas muito movimentas e vitais para o trânsito da cidade, a entrada principal fica em frente a uma rua que dá acesso a Ponte Rio/Niterói, com trânsito praticamente o dia todo.
Desde de criança frequento o Campo e desde que comecei a estudar numa biblioteca que tem lá dentro, na época do vestibular, percebo que as pessoas passam por ali e não se dão conta de tão bonito que é o lugar, do ar quase puro que ele mantém, dos pássaros cantando... passam correndo e vão trabalhar e estudar sem reparar no ambiente a sua volta, muito menos nas pessoas.
Para tentar questionar isso, chamei três amigas para fazer a re-enactmet comigo, só que no dia só uma foi, ai em vez de duas fazerem comigo e uma fotografar, eu fiz sozinha e a minha amiga Fran fotografou.
Sentei na calçada dessa rua principal do Campo, em posiçao de meditação com os olhos abertos observando o movimento das pessoas, que não entendiam nada, pensei que ia conseguir ficar a manhã toda lá, mas o meu corpo não acostumado reclamou e depois de um pouco mais de um hora parei, o mais difícil foi lidar com os olhares das pessoas, teve gente que queria parar e conversar, para tentar entender. Mas foi bom ver que elas me viam ali, mesmo sabendo que estava de alguma forma incomodando e intrigando elas, para não ter a sensação de que nada mas importa e que realmente as pessoas não reparam nas outras que estão a sua volta.
Segunda impressão...
O que quis questionar com a minha performance foi a correria do dia a dia, a falta de tempo, o excesso de trabalho e problemas... Um estado lindo como é o Rio de Janeiro e não prestamos atenção, nem nas pessoas que estão a nossa volta.
Escolhi o Campo de São Bento por ser um lugar lindo e calmo bem entre o estresse da cidade de Niterói, as pessoas cruzam o Campo todos os dias para fazer baldeação e nem admiram o lugar.
Me pus ali para ver se conseguiria obter alguma reação ou percepção alheia, consegui, mas nenhuma foi agradável, as pessoas me questionavam, olhavam pensando que eu era maluca, uma senhora queria que eu levantasse porque aquele lugar era sujo, passava cachorro, rato, barata...
Depois de fazer fiquei pensando que queria refazer, e foi o que a Tania me sugeriu também, mas ironicamente, por falta de tempo não consegui refazer a performance a tempo, mas agora nas férias quero, gostei da experiência de questionar, de ficar esperando a reação das pessoas que muitas vezes é incompreensível.
Acho que essa questão de o que estamos fazendo com nossas vidas serve para tudo. Será que as mudanças estão sendo favoráveis? Será que tem como parar e ir contra a maré? Não para ser nostálgico, mas em alguns pontos o antes era melhor que o agora, mas não temos que nos apegar ao passado e sim modificar o presente, e sem dúvida parar e ver se o que estamos fazendo é o que realmente vale.
No texto “Estética Relacional” Nicolas Bourriaud até menciona uma crescente urbanização da experiência artística e uma mecanização das funções, a sociedade está caminhando para um mundo sem contato, sem relações, e nós, artistas podemos fazer as pessoas pararem para pensar.









