segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Que saudades da aurora da vida/ Da minha infância querida

Eu tinha exposto em sala que o "tema" com o qual eu queria dialogar na minha performance era o fato das crianças estarem perdendo suas infâncias, tendo como preocupação a beleza, os namorados, dinheiro edeixando de fazer o que crianças tem que fazer, que é se divertir. Brincar, não ter vergonha de dançar em festas, querer compartilhar suas dúvidas com os pais, assistir desenho animado, brincar de faz-de-conta.
Foi nesse último elemento que eu me baseei, no faz-de-conta. Quando eu era pequena (não que eu não o seja hoje), gostava muito de inventar histórias. Criava personagens e distribuia entre as minhas amigas. Parando pra pensar nisso, é que percebo o quanto essa graduação em teatro foi somente uma retomada às minhas origens. Pensei em duas opções:
A primeira seria me fantasiar, sair por aí fazendo coisas do dia-a-dia, como ir ao cinema, almoçar, passear pelo shopping, vestida de boneca. Mas daí me veio uma grande questão que nós conversamos bastante em sala, a questão da responsividade. Percebi que eu não conseguiria, sendo tímida como eu sou, passar o dia inteiro encarando pessoas que me olhassem com desdém os estranhamento, sem ter algum tipo de resposta, sem ficar desestimulada e com vontade de ir para casa e encerrar a performance. Passei então para a minha segunda proposta.
Ainda nessa linha do faz-de-conta, eu pensei em algo com o qual eu me divertia bastante, que era atravessar a rua fingindo que entre as linhas da faixa de pedestre houvesse lava derretida, ou jacarés famintos e dragões descontrolados soltadores de fogo, como se aqueles espaços pretos fossem uma área proibida. Pensei que seria ótimo, que era uma performance pontual, rápida, que passaria a minha questão sem que eu tivesse de me expor por tanto tempo. Mas não importa o quanto eu remoesse essa ideia, ela nunca me parecia boa o suficiente. Eu achava que faltava algo pra que aquilo, aquele momento, deixasse de ser só "uma pessoa atravessando a rua e passasse a ser uma pessoa lutando em favor da infância. Pensava no que eu poderia fazer para que as pessoas entendessem que aquilo se tratava de uma luta pela infância, em como tranformar aqueles segundos da travessia em algo significativo, mas nada parecia bom o suficiente. E então eu percebi que nada pareceria bom o suficiente.
Todas as ideias que eu tinha, eu propositadamente recusava. Claro que demorei algum tempo pra perceber isso, porque eu sempre fui do tipo que gosta de fazer o que se propõe. Mas aquilo não ME faria feliz. A minha felicidade não está em performar, não está em sair na rua e chamar atenção. Conversei com a minha mãe sobre esse conflito que eu estava tendo. E ela me disse uma coisa que eu já sabia mas que tentava negar. Eu não gosto de plateia. Desde sempre eu escolhi ficar nos bastidores. Minha satisfação vem muito mais de fazer um desenho e gostar (ou ter outras pessoas que gostem) do resultado, do que de ter todos sabendo que fui eu quem fez aquele desenho. Eu ficaria feliz se eu pudesse simplesmente pedir que alguém fizesse a performance por mim, mas senti como se isso fosse trapaça. Achei mais correto simplesmente admitir que eu não fui feita pra isso.
Relembrando, pensei na minha performance dos abraços grátis. Como aquilo foi divertido por alguns instantes, mas depois se tornou só mais uma tarefa, algo pelo qual eu tinha que passar. Gostei de perceber que eu era capaz de ter uma ideia interessante para uma performance inédita(apesar da Tânia ter dito que ela tinha acabado de ver alguém fazer uma performance igual no ABRACE, aquela ideia era inédita para mim). Mas eu fiquei muito mais tranquila depois que pude tirar todo aquele plástico-bolha que me envolvia.
E agora um desabafo, em relação à performance do riso. Por mais que eu me dissesse que eu não iria só porque já tinha feito aquilo no período anterior e estaria apta a falar disso agora, também tinha outro pensamento passando pela minha cabeça. Eu realmente não queria fazer aquilo de novo. Foi engraçado? Foi. Passou uma mensagem importante? Passou. Foi divertido? Foi, por um ou dois minutos.
Por esses motivos, é que não me pareceu certo fazer uma performance. No início fiquei intimidada pela ideia de ter de superar ou escrever, pelo menos, tão bem quanto a aluna que a Tânia citava, que não quis performar. Mas resolvi botar essas inseguranças de lado e simplesmente assumir essa escolha. Não sou performer, e nisso está a minha felicidade.

domingo, 20 de novembro de 2011

PERFOMANCE ENTREVISTA SOBRE FELICIDADE - ATAT - RENATO PENCO - UNIRIO 2011


TRABALHO DE PERFORMANCE - ENTREVISTA SOBRE FELICIDADE
A ideia inicial da pesquisa era registar em vídeo com o depoimento da pessoa entrevistada com aúdio em tempo real de ligação. Porém ao começar o processo, as luigações estavam muito baixas e prejudicando o entendimento. Então ptei por registro, digitado aqui no Blog. A entevista foi realizada por telefone, com objetivo da pessoa se sentir a vontade para participar e não precisar se revelar.
OBJETIVO:
Descobrir com os entrevistados o que é a felicidade.

FORMA:
Foram feita seis contatos. A pessoa que atendia era convidada a participar de uma Pesquisa. Em algumas ligações, não foi revelado que era uma pesquisa acadêmica.

PERGUNTAS DA PESQUISA:
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1º - O QUE É FELICIDADE?
2º - SE CONSIDERA UMA PESSOA FELIZ?
3º - O QUE TE TRAZ FELICIDADE?
4º - O QUE POSSO TRAZER PARA DEIXÁ-LA FELIZ NESSE MOMENTO?
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1º - Maicon – Não revelou a idade.
1-    É o principal. Tudo. Pra viver.
2 - Sim. Pela família que tenho.
3 - Minha família.
4 - Pediu Pagode. Grupo Revelação.

2º - Maria Mina – 76 anos – Aposentada
1-    Tudo. Conviver bem com os filhos (2), marido e os netos (2). Completou 56 anos de casado neste ano.
2-    Sim. Tranqüilidade com sua casa. Freqüentar e ajudar nas atividades da Igreja.
3-    Os filhos, netos e meu marido. As amizades que tenho na igreja e os grupos que freqüenta. O grupo de alongamento. Costurar para as crianças carentes uma vez na semana (Eram 52 e passaram a ser 58 voluntárias). Freqüentar o clube de mães na Igreja.

3º ligação: Edinéia Gonçalvez – 56 anos – Doméstica
1-    Família. Estar com saúde, os filhos e sua mãe, todos com saúde. Colegas de trabalho com saúde.
2-    Sim. To com saúde. Trabalhando.
3-    Trabalhando. To meu salário. Pagar minhas contas. Cuidar da minha casa.
4-    Não aceitou.
4º ligação: A Pessoa não se identificou e não aceitou participar.
5º ligação: Antonia – 63 anos – Aposentada
            1 – Saúde. Não dever. Paz com consciência e com a Igreja.
2 – Sim. Porque tem uma família. Viver bem. Acreditar no senhor, antes  de tudo.
3 – Andar bem com a consciência das coisas que faz.
4 – Piada. Contei a piada das Bichinhas. Ela deu muitas risadas dizendo que foi muito ruim.
6º ligação: Registrado no vídeo.

Observação:
A performance foi idealizado para ser filmado. Mas, infelizmente o áudio ficou muito prejudicado. Então optei por documentar digitado.


A pesquisa foi realizada com prefixos 2796 e 3763, de localidade Mesquita-RJ.

Performance_Fragil


A idéia da performance surgiu a partir da análise de certas estruturas e acontecimentos urbanos que me faziam ter vontade de dizer algo, não de uma maneira panfletária, didática, mas de modo que deslocasse o olhar do cidadão comum que passa na rua; operasse uma brecha no cotidiano.

Tinha vontade de criticar o descaso do governo com a cidade e, consequentemente, com seus habitantes, fato que resultou (entre tantas outras coisas) na explosão de uma série de bueiros em ruas movimentadas da cidade do Rio de Janeiro (Praça Tiradentes, Bolívar, por exemplo) deixando muitas pessoas feridas e levando algumas à morte. Que comprometimento é esse de um governo que deixa a cidade se alagar com uma garoa qualquer, que não se preocupa com os riscos de desabamento (a não ser de maneira extremamente espetacular e sensacionalista, como vemos nos principais jornais da mídia)? E agora, ainda por cima, temos que encarar nosso asfalto como um campo minado? Enquanto isso, o salário dos deputados só aumenta...

Esses questionamentos geraram, então, a vontade de criticar de modo irônico o perigo que esses bueiros representam. Começamos a interditar os bueiros, taxá-los como objetos frágeis. Tínhamos o objetivo de intervir no caminho das pessoas, de denunciar esse desrespeito que existe e que a gente suporta todos os dias. Durante algumas horas eu e Luisa Nolasco (Fotógrafa) andamos por Ipanema a fim de realizar nossa “missão”. Começamos em uma rua pouco movimentada para testar a ação e seguimos para a Rua Visconde de Pirajá. No começo, a reação das pessoas me fez perceber que era nítida a relação entre a minha ação e a da Luisa, a existência de uma câmera dava de algum modo uma credibilidade fictícia para elas. Pedi à Luisa que me acompanhasse a uma certa distância, se posicionando de maneira discreta (o que fez com que algumas fotos adquirissem uma qualidade interessante para o registro, o lugar do que é escondido, do que está burlando algo para registrar a ação). Desta forma, pretendíamos impedir que a performance adquirisse um caráter artificial, posado e pré-combinado.

Depois dessa mudança, o diálogo (não apenas verbal) com os passantes se intensificou e eles começaram a interagir com a ação. Aplausos vindo de três garotos que estavam na janela do prédio em frente, risos, gestos de aprovação, comentários do tipo:

-- “Isso é sério ou é arte?”

-- “O que é isso moça” (Um menino de uns quatro anos me perguntou)

-- “Cuidado que vai explodir!”

--“Boom”

--“Ajeita a calça que tá todo mundo vendo seu cofrinho”

Assim, aos poucos, a intervenção foi esquentando e ganhando forma, a massa urbana parou de atrapalhar, começou a fazer parte do trabalho, a construí-lo junto comigo, a ditar minha postura, meu modo de estar presente ali. No final, era curioso perceber como, apesar de efêmera, a performance estava deixando seu rastro: alguns passantes já vinham acompanhando-a por alguns quarteirões e ao me encontrarem regiam como se pensassem “Ah, é você que está fazendo isso tudo!”.

Ao deslocar o adesivo frágil do aeroporto para os bueiros procuramos também trazer à tona o sentido múltiplo que ele podia abarcar: associamos a fragilidade dos bueiros com a fragilidade da vida e a fragilidade do sistema e do governo no qual estamos inevitavelmente inseridos. Lembrei-me da fragilidade tão bem descrita e problematizada por Jean-Claude Carrière em seu livro “Fragilidade”. O quão patético se torna todo nosso esforço para se defender, criar um escudo, não se afetar, socar o sofrimento; quando percebemos que a vulnerabilidade, a fragilidade é fundamental e inerente a todo e qualquer ser humano.

Decidi por documentar a performance através de fotografias pelo seu forte apelo visual, rico e cheio de possibilidades. Desse modo, procuramos não apenas mostrar o ocorrido, mas construir pontos de vista, novos olhares poéticos, irônicos, esteticamente interessantes que possibilitassem o surgimento de significantes e significados em potencial, incentivando a presença de um olhar ativo, que descobre e cria sua própria visão, através da construção de narrativas imagéticas. O registro aparece, portanto, como um desdobramento da própria performance, uma outra camada que possui uma existência autônoma.

segue o link do registro fotográfico:

www.flickr.com/photos/performance_fragil

www.flickr.com/photos/performance_fragil2

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Performance sobre identidade


A principio não tinha ideia de como ocorreria o traslado de meu traslado, ou que melhor forma, para registrá-lo. Após dias de experiência optei por um registro escrito, daquilo que pode ser facilmente visualizado por qualquer membro deste blog. Não só apenas visualizado como também vivido. A questão da identidade e da auto afirmação para a felicidade foi meu canal para o desenvolvimento artístico. Resolvi, então, vivenciar e experimentar esta prática através da internet, especificamente através dos sites de relacionamento. Uma experiência simples, criei um perfil falso no facebook, mas, foi um pouco desastrosa. A príncipio poucas pessoas me aceitaram ou vieram falar comigo. O maior número de convites aceitos foi quando decidi por uma foto no perfil. Minha primeira motivação era ser um perfil sem foto, um rosto que pudesse ser de fato moldado por quem estivesse interagindo comigo. Mas pela falta de interação resolvi seguir o conselho de um amigo que me aconselhou a procurar uma imagem fake. Sim os perfis fakes em sites possuem na pesquisa do google imagens próprias e sites que fornecem imagens para quem os quiser montar. Pude perceber como a questão da imagem é um fator forte neste tipo de relação virtual e como interfere a questão da estética.Então me lancei a outro movimento dentro da minha pesquisa artística. Procurei comunidades no site de relacionamentos orkut destinadas a fakes e entrei com meu perfil normal. Adicionei "pessoas" e entre muitos diálogos pude perceber um "eu" sozinho na multidão como bem afirmava Boudelaire.
No meio de todo esse experimento pude perceber como é autocrítico construir um eu diferente e que ao mesmo tempo é parte de você. Primeiro pelos mecanismos e ferramentas do meio. Criar um e-mail que não identifique quem é você, burlar as regras de "segurança" do site permitindo que você possa criar uma nova identidade. Enfim um movimento de nascer um outro alguém que algum momento você gostaria de ser.
Melhor refletindo fazer nascer alguém que seja interessante aos olhos de outro alguém, sendo capaz de seduzir o outro, criando um simulacro onde fisicamente você coloque outra imagem, outras caracteristicas e você próprio crie uma outra maneira de pensar e de conversar a fim de torna-se interessante para o outro.
O que toda essa conquista reflete na felicidade? Com todas as pessoas que se dispuseram a interagir comigo, mesmo através de um perfil falso com "pessoas reais" ou através de um perfil verdadeira com "pessoas fakes" todas buscavam relações que movimentam a conquista da afetividade do outro. O desejo de se sentir aceito e bem visto pelo outro de se firmar perante o outro. O trabalho performático neste sentido ainda pode e poderá ter muitos desdobramentos, mas a principio fica essa reflexão pelo menos pra mim de como manipulamos o que somos e quem somos para satisfazer nossa carência e nossos vazios.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Relato da performance de Socorro Bezerra


A forma da obra contemporânea vai além de sua forma material: ela é um elemento de ligação, um princípio de aglutinação dinâmica. Uma obra de arte é um ponto sobre uma linha.(BOURRIAUD, 1988, p. 29)


Ainda não estava muito claro o que fazer em Performance, quando imaginava qual performance fazer, sempre achava que a forma era mais parecida com esquete.

Neste semestre o tema escolhido para desenvolver as performances foi Felicidade, isto fez com que ficasse refletindo muito sobre o que é felicidade, e não consigo pensar nesta palavra sem lembrar a propaganda do Pão de Açúcar “O que faz você feliz?”.

Por causa desta associação, imaginei fazer uma performance na 3ª maratona do Pão de Açúcar, que aconteceu no dia 06/11/2011, aproveitaria para unir alguns prazeres: correr, conviver com os amigos (pois esta corrida é de equipe) e fazer uma performance. Entretanto, por motivos pessoais, não estava no Rio de Janeiro na data.

Mas, começarei do início, da primeira performance da minha vida. Foi realizada nos jardins da UNIRIO, no I Seminário Internacional Corpo Cênico: linguagens e pedagogias. E foi muito importante ser uma performance coletiva, ajudou bastante. Enquanto estava sentada no balanço tocando pandeiro tinha um outro pandeiro do lado, para construir um relacionamento com as pessoas que passavam pelo jardim. No princípio foi tenso, depois me pegava bem relaxada, como se não estivesse naquele lugar, como se só existisse o ato de tocar pandeiro e balançar no pandeiro (uma sensação muito boa) e, em alguns momentos, existiu uma necessidade de chamar atenção, de que eu fosse vista. E naquele momento, aliado a leitura de alguns textos, percebi esta forma de fazer arte. Algo que a humanidade fazia: como sentar em uma praça, tocar um instrumento juntos com amigos, a muito tempo atrás, em uma época em que tempo não era dinheiro. Hoje em dia, quando é colocado uma intencionalidade, tornar-se arte.

“... além do caráter relacional intrínseco da obra de arte, as figuras de referência da esfera das relações humanas agora se tornaram “formas” integralmente artísticas.” (BOURRIAUD, 1988, p. 40)

Minha segunda performance foi ri na escadaria da Câmera Municipal do Rio de Janeiro, também foi coletiva. Esta performance tinha uma sensação diferente, tinha um “sentimento” político, e foi bom ter chamado atenção das pessoas que passavam na Cinelândia, acho que em algumas teve a interpretação política também. Mas confesso que esta performance me fez cansar fisicamente. Cheguei à conclusão: ri cansa.

Com base na performance de Georgina Starr[1] e por não ter conseguido fazer a performance na 3ª Maratona do Pão de Açúcar, decidi fazer minha performance individual na corrida Venus. Consistiu em: fazer a corrida sozinha, ter consciência do ato de correr sozinha e ter algo diferente das outras participantes. A corrida Venus é uma corrida só para mulheres, a camisa da corrida sempre é algo bem feminino, para ser diferente não usei a camisa da corrida, e sim uma onde tem uma Tartaruga, percebi que as outras pessoas olhavam, inclusive provocando uma interação entre eu e elas com um leve sorriso. Durante a corrida, observei os grupos de amigas, as pessoas que corriam sozinhas com seus “sons” no ouvido e aquelas em que seus companheiros a esperavam na chegada. São corridas diferentes, e eu, por tentar ficar consciente durante toda a corrida, não na corrida, mas no que estava a seu redor, acabei fazendo um tempo maior que o de costume, ou seja, minha performance (desempenho físico) foi baixa. Desta corrida consciente, e de tantas outras que já fiz, produzi um quadro (está no início do trabalho) que se transformou no objeto concreto desta minha performance. Mesmo sabendo que não teria necessidade, que a performance pode ser consumida na hora que acontece, mas senti necessidade.

“Uma obra de arte possui uma qualidade que a diferencia dos outros produtos das atividade humanas: essa qualidade é sua (relativa) transparência social. Uma boa obra de arte sempre pretende mais do que sua mera presença no espaço: ela se abre ao diálogo, à discussão, a essa forma de negociação inter-humana que Marcel Duchamp chamava de “o coeficiente de arte” – e que é um processo temporal, que se dá aqui e agora.” (BOURRIAUD, 1988, p. 57)


[1] Geogina Starr, para exposição Restaurant em Paris, em outubro de 1993, descreve sua angústia de “jantar sozinha” e monta um texto para ser distribuído aos clientes solitários do restaurante. (BOURRIAUD, 1988, p. 44)

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Intervenções pseudo-lacrimogenéricas irrealizadas no sábado 29/10/11, a despropósito de dia(b)logar com a gargalhada coletiva, na qual não pude comparecer devido a uma tristeza profunda que se me abateu após estudar o homem da modernidade contemporânea segundo Bôdelé Agambi Beija-mim pra prova da Materno, refletindo sobre as coisas... Isto posto, pósto aqui que o chôro é falso e já não sei que acentos uso. Salvo um momento ou dois em que o segurança me olha no olho e eu penso comigo - ou eu choro de verdade ou... - o resto ficou na forma e no som... pegou na garganta... choro falso como as luzes a piscar... só o constrangimento era um pouco verdadeiro. O meu? O deles. Ou nem. Penso em Per-forma: que passa pela forma? Foi isto então, o choro/grito, meio que sem pensar muito no porquê, curtindo isso de editar as imagens, dar tratamento artístico(?) ao registro, turbulentar ali o shopping. Distribuir gratuitamente a expressão falsa do sofrimento na expressão maior da felicidade falsa, comprada. Não sei se quero repetir. Lembro das caras das crianças. As (poucas) pessoas compadecidas a me perguntar - o que houve? - e eu ali, havendo. Soube de um evento com os Sem Teto, todos ali, no Rio Sul, a comer a marmita na praça de alimentação, e o shopping evacua. Os comprantes. As lojas fecham. Realmente a união faz açucar. Uma andorinha só chorando não faz muito verão... Sei lá, um montão de coisas. E nenhuma.

terça-feira, 1 de novembro de 2011