A pesquisa foi realizada com prefixos 2796 e 3763, de localidade Mesquita-RJ.
domingo, 20 de novembro de 2011
PERFOMANCE ENTREVISTA SOBRE FELICIDADE - ATAT - RENATO PENCO - UNIRIO 2011
A pesquisa foi realizada com prefixos 2796 e 3763, de localidade Mesquita-RJ.
Performance_Fragil
A idéia da performance surgiu a partir da análise de certas estruturas e acontecimentos urbanos que me faziam ter vontade de dizer algo, não de uma maneira panfletária, didática, mas de modo que deslocasse o olhar do cidadão comum que passa na rua; operasse uma brecha no cotidiano.
Tinha vontade de criticar o descaso do governo com a cidade e, consequentemente, com seus habitantes, fato que resultou (entre tantas outras coisas) na explosão de uma série de bueiros em ruas movimentadas da cidade do Rio de Janeiro (Praça Tiradentes, Bolívar, por exemplo) deixando muitas pessoas feridas e levando algumas à morte. Que comprometimento é esse de um governo que deixa a cidade se alagar com uma garoa qualquer, que não se preocupa com os riscos de desabamento (a não ser de maneira extremamente espetacular e sensacionalista, como vemos nos principais jornais da mídia)? E agora, ainda por cima, temos que encarar nosso asfalto como um campo minado? Enquanto isso, o salário dos deputados só aumenta...
Esses questionamentos geraram, então, a vontade de criticar de modo irônico o perigo que esses bueiros representam. Começamos a interditar os bueiros, taxá-los como objetos frágeis. Tínhamos o objetivo de intervir no caminho das pessoas, de denunciar esse desrespeito que existe e que a gente suporta todos os dias. Durante algumas horas eu e Luisa Nolasco (Fotógrafa) andamos por Ipanema a fim de realizar nossa “missão”. Começamos em uma rua pouco movimentada para testar a ação e seguimos para a Rua Visconde de Pirajá. No começo, a reação das pessoas me fez perceber que era nítida a relação entre a minha ação e a da Luisa, a existência de uma câmera dava de algum modo uma credibilidade fictícia para elas. Pedi à Luisa que me acompanhasse a uma certa distância, se posicionando de maneira discreta (o que fez com que algumas fotos adquirissem uma qualidade interessante para o registro, o lugar do que é escondido, do que está burlando algo para registrar a ação). Desta forma, pretendíamos impedir que a performance adquirisse um caráter artificial, posado e pré-combinado.
Depois dessa mudança, o diálogo (não apenas verbal) com os passantes se intensificou e eles começaram a interagir com a ação. Aplausos vindo de três garotos que estavam na janela do prédio em frente, risos, gestos de aprovação, comentários do tipo:
-- “Isso é sério ou é arte?”
-- “O que é isso moça” (Um menino de uns quatro anos me perguntou)
-- “Cuidado que vai explodir!”
--“Boom”
--“Ajeita a calça que tá todo mundo vendo seu cofrinho”
Assim, aos poucos, a intervenção foi esquentando e ganhando forma, a massa urbana parou de atrapalhar, começou a fazer parte do trabalho, a construí-lo junto comigo, a ditar minha postura, meu modo de estar presente ali. No final, era curioso perceber como, apesar de efêmera, a performance estava deixando seu rastro: alguns passantes já vinham acompanhando-a por alguns quarteirões e ao me encontrarem regiam como se pensassem “Ah, é você que está fazendo isso tudo!”.
Ao deslocar o adesivo frágil do aeroporto para os bueiros procuramos também trazer à tona o sentido múltiplo que ele podia abarcar: associamos a fragilidade dos bueiros com a fragilidade da vida e a fragilidade do sistema e do governo no qual estamos inevitavelmente inseridos. Lembrei-me da fragilidade tão bem descrita e problematizada por Jean-Claude Carrière em seu livro “Fragilidade”. O quão patético se torna todo nosso esforço para se defender, criar um escudo, não se afetar, socar o sofrimento; quando percebemos que a vulnerabilidade, a fragilidade é fundamental e inerente a todo e qualquer ser humano.
Decidi por documentar a performance através de fotografias pelo seu forte apelo visual, rico e cheio de possibilidades. Desse modo, procuramos não apenas mostrar o ocorrido, mas construir pontos de vista, novos olhares poéticos, irônicos, esteticamente interessantes que possibilitassem o surgimento de significantes e significados em potencial, incentivando a presença de um olhar ativo, que descobre e cria sua própria visão, através da construção de narrativas imagéticas. O registro aparece, portanto, como um desdobramento da própria performance, uma outra camada que possui uma existência autônoma.
segue o link do registro fotográfico:
www.flickr.com/photos/performance_fragil
www.flickr.com/photos/performance_fragil2
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
Performance sobre identidade

A principio não tinha ideia de como ocorreria o traslado de meu traslado, ou que melhor forma, para registrá-lo. Após dias de experiência optei por um registro escrito, daquilo que pode ser facilmente visualizado por qualquer membro deste blog. Não só apenas visualizado como também vivido. A questão da identidade e da auto afirmação para a felicidade foi meu canal para o desenvolvimento artístico. Resolvi, então, vivenciar e experimentar esta prática através da internet, especificamente através dos sites de relacionamento. Uma experiência simples, criei um perfil falso no facebook, mas, foi um pouco desastrosa. A príncipio poucas pessoas me aceitaram ou vieram falar comigo. O maior número de convites aceitos foi quando decidi por uma foto no perfil. Minha primeira motivação era ser um perfil sem foto, um rosto que pudesse ser de fato moldado por quem estivesse interagindo comigo. Mas pela falta de interação resolvi seguir o conselho de um amigo que me aconselhou a procurar uma imagem fake. Sim os perfis fakes em sites possuem na pesquisa do google imagens próprias e sites que fornecem imagens para quem os quiser montar. Pude perceber como a questão da imagem é um fator forte neste tipo de relação virtual e como interfere a questão da estética.Então me lancei a outro movimento dentro da minha pesquisa artística. Procurei comunidades no site de relacionamentos orkut destinadas a fakes e entrei com meu perfil normal. Adicionei "pessoas" e entre muitos diálogos pude perceber um "eu" sozinho na multidão como bem afirmava Boudelaire.
terça-feira, 15 de novembro de 2011
Relato da performance de Socorro Bezerra
A forma da obra contemporânea vai além de sua forma material: ela é um elemento de ligação, um princípio de aglutinação dinâmica. Uma obra de arte é um ponto sobre uma linha.(BOURRIAUD, 1988, p. 29)
Ainda não estava muito claro o que fazer em Performance, quando imaginava qual performance fazer, sempre achava que a forma era mais parecida com esquete.
Neste semestre o tema escolhido para desenvolver as performances foi Felicidade, isto fez com que ficasse refletindo muito sobre o que é felicidade, e não consigo pensar nesta palavra sem lembrar a propaganda do Pão de Açúcar “O que faz você feliz?”.
Por causa desta associação, imaginei fazer uma performance na 3ª maratona do Pão de Açúcar, que aconteceu no dia 06/11/2011, aproveitaria para unir alguns prazeres: correr, conviver com os amigos (pois esta corrida é de equipe) e fazer uma performance. Entretanto, por motivos pessoais, não estava no Rio de Janeiro na data.
Mas, começarei do início, da primeira performance da minha vida. Foi realizada nos jardins da UNIRIO, no I Seminário Internacional Corpo Cênico: linguagens e pedagogias. E foi muito importante ser uma performance coletiva, ajudou bastante. Enquanto estava sentada no balanço tocando pandeiro tinha um outro pandeiro do lado, para construir um relacionamento com as pessoas que passavam pelo jardim. No princípio foi tenso, depois me pegava bem relaxada, como se não estivesse naquele lugar, como se só existisse o ato de tocar pandeiro e balançar no pandeiro (uma sensação muito boa) e, em alguns momentos, existiu uma necessidade de chamar atenção, de que eu fosse vista. E naquele momento, aliado a leitura de alguns textos, percebi esta forma de fazer arte. Algo que a humanidade fazia: como sentar em uma praça, tocar um instrumento juntos com amigos, a muito tempo atrás, em uma época em que tempo não era dinheiro. Hoje em dia, quando é colocado uma intencionalidade, tornar-se arte.
“... além do caráter relacional intrínseco da obra de arte, as figuras de referência da esfera das relações humanas agora se tornaram “formas” integralmente artísticas.” (BOURRIAUD, 1988, p. 40)
Minha segunda performance foi ri na escadaria da Câmera Municipal do Rio de Janeiro, também foi coletiva. Esta performance tinha uma sensação diferente, tinha um “sentimento” político, e foi bom ter chamado atenção das pessoas que passavam na Cinelândia, acho que em algumas teve a interpretação política também. Mas confesso que esta performance me fez cansar fisicamente. Cheguei à conclusão: ri cansa.
Com base na performance de Georgina Starr[1] e por não ter conseguido fazer a performance na 3ª Maratona do Pão de Açúcar, decidi fazer minha performance individual na corrida Venus. Consistiu em: fazer a corrida sozinha, ter consciência do ato de correr sozinha e ter algo diferente das outras participantes. A corrida Venus é uma corrida só para mulheres, a camisa da corrida sempre é algo bem feminino, para ser diferente não usei a camisa da corrida, e sim uma onde tem uma Tartaruga, percebi que as outras pessoas olhavam, inclusive provocando uma interação entre eu e elas com um leve sorriso. Durante a corrida, observei os grupos de amigas, as pessoas que corriam sozinhas com seus “sons” no ouvido e aquelas em que seus companheiros a esperavam na chegada. São corridas diferentes, e eu, por tentar ficar consciente durante toda a corrida, não na corrida, mas no que estava a seu redor, acabei fazendo um tempo maior que o de costume, ou seja, minha performance (desempenho físico) foi baixa. Desta corrida consciente, e de tantas outras que já fiz, produzi um quadro (está no início do trabalho) que se transformou no objeto concreto desta minha performance. Mesmo sabendo que não teria necessidade, que a performance pode ser consumida na hora que acontece, mas senti necessidade.
“Uma obra de arte possui uma qualidade que a diferencia dos outros produtos das atividade humanas: essa qualidade é sua (relativa) transparência social. Uma boa obra de arte sempre pretende mais do que sua mera presença no espaço: ela se abre ao diálogo, à discussão, a essa forma de negociação inter-humana que Marcel Duchamp chamava de “o coeficiente de arte” – e que é um processo temporal, que se dá aqui e agora.” (BOURRIAUD, 1988, p. 57)
[1] Geogina Starr, para exposição Restaurant em Paris, em outubro de 1993, descreve sua angústia de “jantar sozinha” e monta um texto para ser distribuído aos clientes solitários do restaurante. (BOURRIAUD, 1988, p. 44)